Fundada às pressas para abrigar os candangos que construíram Brasília, a cidade cresceu, virou polo econômico, ganhou 220 mil habitantes — e celebra o aniversário com o anúncio da ocupação do Centrad, elefante branco que finalmente sai do papel
Hoje, 5 de junho, é aniversário de uma das cidades mais vibrantes, populosas e importantes do Distrito Federal. Taguatinga foi fundada em 5 de junho de 1958, em terras que anteriormente pertenciam à Fazenda Taguatinga. Sessenta e oito anos depois, a cidade que nasceu improvisada, para resolver um problema urgente, transformou-se em um dos motores do desenvolvimento de toda a região.
Parabéns, Taguatinga. Parabéns ao Taguá.
A origem: uma cidade criada da noite para o dia
A história de Taguatinga começa com um problema típico da maior obra do século XX no Brasil. Para conter as invasões constantes em terras próximas da capital em construção, o governo criou Taguatinga em 5 de junho de 1958, em terras da Fazenda Taguatinga, para receber os trabalhadores que chegavam à região para participar da construção de Brasília.
Inicialmente recebeu o nome de Vila Sarah Kubitschek, depois passou a se chamar Santa Cruz de Taguatinga, até permanecer apenas Taguatinga — ou simplesmente Taguá, como os moradores carinhosamente a chamam. O nome, de origem tupi, está associado à expressão "barro branco", referência a uma formação geológica característica da região.
A cidade foi planejada por Lúcio Costa — o mesmo urbanista responsável pelo plano piloto de Brasília — e foi oficialmente reconhecida como cidade em 1970. Tornou-se a 3ª Região Administrativa do DF por meio da Lei nº 49, de 25 de outubro de 1989.
De acampamento de operários a polo econômico do DF
O que começou como uma solução habitacional emergencial tornou-se, ao longo de seis décadas, um centro urbano dinâmico e autônomo. Taguatinga se transformou em um dos principais polos econômicos do Distrito Federal, concentrando empresas, serviços, indústrias e milhares de empregos. Sua localização estratégica, infraestrutura consolidada e vocação comercial a fizeram um dos motores do desenvolvimento do DF.
Com mais de 220 mil habitantes, Taguatinga é a quarta maior região administrativa do DF e possui um dos comércios mais fortes e diversificados da região. A Praça do Relógio — seu cartão-postal mais reconhecido — é ponto de encontro, de comércio e de identidade para gerações de moradores.
O secretário de Governo José Humberto, que vive na cidade há quase seis décadas, resume bem o que Taguatinga representa para o DF: "Taguatinga é a locomotiva de Brasília."
E não é exagero. A cidade que nasceu para abrigar quem construiu a capital tornou-se, ela mesma, parte fundamental da estrutura que mantém o DF funcionando.
O presente de aniversário que o DF esperava há 12 anos
Neste 68º aniversário, Taguatinga ganha um presente que vem sendo prometido há mais de uma década — e que finalmente sai do papel. A governadora Celina Leão anunciou, na última segunda-feira (1º/6), que o Governo do Distrito Federal vai iniciar a ocupação do Centro Administrativo do DF (Centrad), complexo localizado em Taguatinga que foi concluído há 12 anos mas nunca chegou a funcionar plenamente.
"A ocupação do Centrad é um presente de aniversário de Taguatinga, que completa 68 anos na próxima sexta-feira, dia 5 de junho. Além da cidade, todo o Distrito Federal espera por isso há 12 anos. Com a gradativa transferência das secretarias e do meu gabinete, nosso governo estará mais perto dos moradores de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, a maior densidade populacional do DF", disse a governadora.
O Centrad: uma obra de R$ 1 bilhão parada por 12 anos
A história do Centrad é uma das mais emblemáticas do desperdício de recursos públicos no DF. Construído numa área de 182 mil metros quadrados — equivalente a aproximadamente 25 campos de futebol — o complexo reúne 16 edifícios e fica na Avenida Elmo Serejo, ao lado do Estádio Serejão, da Rodoviária de Taguatinga e próximo à Estação Centro Metropolitano do Metrô.
Inaugurado em 31 de dezembro de 2014, no último dia da gestão Agnelo Queiroz (PT), o empreendimento começou orçado em cerca de R$ 660 milhões, ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão e passou anos envolvido em disputas judiciais, suspeitas de irregularidades, auditorias e impasses que impediram sua utilização. Quatro governadores depois, o prédio continuava vazio.
A ocupação vai começar de forma gradual e cautelosa, seguindo recomendações jurídicas e técnicas. As primeiras secretarias a serem transferidas serão as de Obras e Infraestrutura e de Desenvolvimento Urbano e Habitação, além da Casa Militar, da Secretaria de Comunicação e do próprio gabinete da governadora.
A estratégia tem uma lógica fiscal direta: a expectativa do GDF é concentrar órgãos que hoje funcionam em prédios alugados em diferentes regiões do Distrito Federal, gerando economia de recursos públicos.
As áreas verdes que fazem a diferença
Entre os orgulhos de Taguatinga, a natureza também tem seu lugar. Na cidade, os moradores podem usufruir do Taguaparque, do Parque Saburo Onoyama e da Floresta Nacional de Brasília (Flona) — com trilhas abertas por voluntários que se tornaram cartão de visita da floresta e pontos de encontro para toda a comunidade.
68 anos em números
Fundação: 5 de junho de 1958
Nome original: Vila Sarah Kubitschek
Região Administrativa: III do Distrito Federal
População: mais de 220 mil habitantes
Área: localizada estrategicamente entre Ceilândia, Samambaia e o Plano Piloto
Símbolos: Praça do Relógio, Taguacenter, Túnel Rei Pelé, Floresta Nacional de Brasília
Parabéns a todos os taguatinguenses — os que nasceram aqui, os que escolheram ficar e os que chegaram de longe para chamar o Taguá de lar.
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