Haaland mata o sonho do hexa: Brasil perde para a Noruega por 2 a 1 e dá adeus à Copa do Mundo 2026

Artilheiro do torneio marcou duas vezes no segundo tempo, Neymar descontou de pênalti nos acréscimos mas não evitou a eliminação. É a pior campanha brasileira desde 1990 — e a sétima eliminação consecutiva para um país europeu

O sonho acabou. No domingo à noite (5/7), no MetLife Stadium em Nova Jersey — o mesmo palco da estreia contra o Marrocos —, a Seleção Brasileira se despediu da Copa do Mundo de 2026 com uma derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final. Erling Haaland, discreto durante quase toda a partida, apareceu quando mais importava e marcou os dois gols noruegueses no segundo tempo. Neymar descontou de pênalti nos acréscimos — mas foi tarde demais.

O Brasil vai para casa. O hexa fica para uma próxima vez. E uma geração que prometia tanto encerra sua participação no pior resultado desde a Copa da Itália, em 1990 — há 36 anos.

Como foi o jogo

A partida começou equilibrada e o Brasil tentou impor seu ritmo desde o apito inicial. No primeiro tempo, a maior chance foi um pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, que cobrou mal e viu o goleiro Nyland defender com segurança. O placar foi a zero na ida para os vestiários — e aquela perda do pênalti pesaria caro.

No segundo tempo, o roteiro mudou completamente. Aos 34 minutos, Haaland apareceu pela primeira vez com perigo real: após cruzamento de Schleuderup pela esquerda, o gigante norueguês ganhou facilmente de Gabriel Magalhães na bola aérea e cabeceou forte, sem chances para Alisson. Primeiro gol.

O Brasil tentou reagir. Ancelotti fez trocas, tentou dar mais gás ao meio de campo — trocou Bruno Guimarães por Ederson aos 33 minutos. Mas aos 44 do segundo tempo, quando a Seleção já sentia o nervosismo da possível eliminação, Haaland recebeu na quina da área e, com espaço que não deveria ter, chutou rasteiro e cruzado. Segundo gol. Jogo decidido.

Nos acréscimos, Neymar converteu um pênalti — o camisa 10 havia voltado justamente para essa Copa, após mais de dois anos longe da Seleção. O gol não mudou o placar final. 2 a 1 para a Noruega. Fim de linha.

Os números que doem

A derrota para a Noruega consolida uma série de estatísticas que o torcedor brasileiro preferia não ver:

Pior campanha em 36 anos — a última vez que o Brasil caiu nas oitavas foi na Copa da Itália, em 1990, quando perdeu para a Argentina por 1 a 0, com gol de Caniggia após passe de Maradona.

Sétima eliminação consecutiva para países europeus — desde 2006, o Brasil não consegue superar uma seleção europeia no mata-mata. França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e agora Noruega (2026). Uma escrita que já se estende por vinte anos.

Brasil nunca venceu a Noruega — em cinco confrontos oficiais, o retrospecto é de três vitórias norueguesas e dois empates. Nenhuma vitória brasileira. Em 1998, a Noruega já havia eliminado o Brasil na fase de grupos.

O maior jejum da história — em 2030, o Brasil completará 28 anos sem vencer uma Copa do Mundo. É o mesmo intervalo que separou o primeiro título (1958) dos anos sem conquistas antes dele (1930). A Seleção mais campeã da história vive seu período mais seco.

A campanha completa do Brasil em 2026

Fase de grupos: 13/06 — Brasil 1 x 1 Marrocos — Empate que acendeu o alerta 19/06 — Brasil 3 x 0 Haiti — Goleada que animou a torcida 24/06 — Escócia x Brasil — Última rodada do grupo

Mata-mata: 29/06 — Brasil 2 x 1 Japão — Vitória de virada em Houston 05/07 — Brasil 1 x 2 Noruega — Eliminação em Nova Jersey

Cinco jogos. Dois empates, dois tropeços e uma vitória acanhada. Uma campanha que nunca embalou de verdade — e que terminou antes do que qualquer torcedor gostaria.

Haaland: o carrasco que o Brasil não soube parar

Erling Haaland chegou à Copa do Mundo de 2026 com o peso de ser o melhor jogador do mundo — e não decepcionou. Discreto durante grande parte do jogo contra o Brasil, o centroavante do Manchester City mostrou que não precisa de muito para ser decisivo. Duas jogadas. Dois gols. Jogo resolvido.

Com os dois tentos contra o Brasil, Haaland se torna artilheiro do torneio ao lado de Messi e Mbappé. A Noruega, que avança para as quartas de final pela primeira vez na história, tem no seu camisa 9 um instrumento quase impossível de neutralizar — alto, veloz, implacável na área.

O Brasil não tinha resposta para ele. E isso, talvez, seja o resumo mais honesto da eliminação.

O futuro de Ancelotti e da Seleção

A derrota coloca sob pressão imediata o projeto liderado por Carlo Ancelotti. O técnico italiano chegou à Seleção com grande expectativa e uma reputação construída em décadas de títulos europeus — mas saiu de sua primeira Copa à frente do Brasil com a eliminação mais precoce em 36 anos.

As perguntas que dominam os bastidores do futebol brasileiro agora são muitas: Ancelotti continua? Neymar encerra o ciclo com a Seleção? O que deu errado em uma geração que tinha Vinícius Júnior, Rodrygo, Endrick e outros talentos de altíssimo nível?

As respostas virão nos próximos meses — em entrevistas, reuniões da CBF e análises técnicas. Por ora, o que sobra é a dor aguda de uma eliminação que chegou cedo demais, num torneio que o Brasil queria tanto.

Brasília acorda de ressaca — mas a Copa continua

Para o torcedor brasiliense, o dia amanhece com aquela mistura familiar de tristeza e indignação que só uma eliminação de Copa provoca. Os bares que estavam cheios ontem à noite hoje estarão mais silenciosos. A camiseta amarela vai voltar para a gaveta.

Mas a Copa do Mundo de 2026 continua — e ainda tem muito futebol pela frente. Noruega, Argentina, França, Portugal e outras potências seguem na disputa. A partir de agora, o torcedor brasileiro pode assistir aos jogos sem o peso do coração na garganta — e torcer por quem quiser.

O hexa terá que esperar. E esperamos que não demore mais quatro anos.


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