Pesquisa do Instituto Fecomércio-DF ouviu 211 empresas e aponta crescimento esperado de até 20% nas vendas em bares, supermercados, eletrônicos e vestuário. No Brasil, Copa pode movimentar R$ 4,3 bilhões no varejo
A Copa do Mundo começa amanhã — e o comércio do Distrito Federal está na torcida junto com os brasileiros. Não apenas pelo hexa, mas pelo que o torneio representa para os negócios: uma janela de oportunidade que, segundo os próprios lojistas brasilienses, promete superar em otimismo qualquer grande evento esportivo anterior.
Segundo a sondagem do Instituto Fecomércio-DF, 85% dos lojistas do Distrito Federal estão mais otimistas com o desempenho das vendas nesta edição em comparação com grandes eventos esportivos anteriores. A pesquisa, realizada entre os dias 12 e 16 de maio, ouviu proprietários e gerentes de 211 empresas de diferentes segmentos impactados pela Copa do Mundo no DF.
Os números que animam o setor
O otimismo tem base concreta. Entre os entrevistados, 43% esperam crescimento moderado nas vendas, entre 10% e 20%. Outros 34,6% projetam aumento superior a 20%, enquanto 15% acreditam em alta de até 10%.
Para o consumidor, o dado mais relevante é o ticket médio estimado: o valor geral estimado por cliente chegou a R$ 565, com variações entre os segmentos. Em outras palavras, cada brasiliense que entrar em um estabelecimento durante o período da Copa deve gastar, em média, quase R$ 600 — um número que reflete tanto o aquecimento do consumo quanto a variedade de produtos ligados ao torneio.
Para 84% dos comerciantes, a competição mundial representa uma oportunidade de aumentar as vendas. O principal desafio apontado é operacional: 48,8% citam a gestão de estoques e fornecedores como o maior obstáculo do período.
Os setores que vão bombar
A pesquisa do Instituto Fecomércio-DF identificou os segmentos com maior potencial de crescimento durante a Copa. A pesquisa ouviu empresários dos segmentos de eletrônicos e eletrodomésticos; bares e restaurantes; supermercados, mercearias e padarias; vestuário e artigos desportivos; além de artigos para o lar e decoração.
Bebidas e alimentos lideram as expectativas. Com os jogos do Brasil marcados para as 19h e 21h30 — horários ideais para reuniões em bares e em casa —, supermercados, mercearias, padarias e distribuidoras devem registrar picos de vendas nos dias de jogo. Bares e restaurantes devem se beneficiar especialmente dos jogos da Seleção na primeira fase, que ocorrerão no período noturno, elevando as receitas do setor.
Eletrônicos e eletrodomésticos são o segundo grande vetor de crescimento. Televisores maiores, barras de som, projetores e até geladeiras entram na lista de compras de quem quer montar o ambiente perfeito para assistir à Copa em casa ou no espaço comercial.
Vestuário e artigos esportivos também aparecem com força. Camisetas da Seleção, bandeiras, acessórios verde e amarelo e produtos temáticos devem ter alta demanda especialmente nas semanas dos jogos do Brasil — que começa já na próxima sexta-feira (13/6), às 19h, contra o Marrocos.
Farmácias e perfumarias também podem explorar o momento, com maquiagens e esmaltes nas cores da Seleção, além de produtos para quem for exagerar nas comemorações.
Viagens aos países-sede: dólar em queda ajuda
A Copa de 2026 tem um diferencial em relação a edições anteriores: os países-sede — Estados Unidos, Canadá e México — são destinos já familiares ao brasileiro. Apesar de a maioria dos empresários afirmar que a queda do dólar não impactou diretamente as vendas, 20% das agências de viagem do DF registraram aumento na procura por viagens aos países-sede da competição, com crescimento médio no fluxo de clientes de 7,3%.
O câmbio mais favorável abriu espaço para um público que, em edições anteriores da Copa, não conseguiria bancar a viagem. Para o torcedor brasiliense que foi aos Estados Unidos para ver o Brasil jogar — o país recebe a maior parte dos jogos —, é também uma Copa de reencontro com destinos conhecidos.
O impacto nacional: R$ 4,3 bilhões no varejo brasileiro
O otimismo do DF reflete uma tendência nacional. A Copa do Mundo de 2026 deve gerar um impacto de R$ 4,32 bilhões no comércio varejista brasileiro, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O volume representa um crescimento de 6,5% em comparação com a edição de 2022.
Entre os segmentos com maior expectativa de faturamento, os hiper e supermercados lideram as projeções, com movimentação estimada em R$ 2,97 bilhões. O avanço é impulsionado, segundo a CNC, pela melhora do mercado de trabalho e pelo cenário de inflação mais controlada nos últimos anos — fatores que ampliam o poder de consumo da população.
A voz do setor
O presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, resume bem o momento: "Os resultados mostram que a Copa do Mundo de 2026 já está no radar do setor produtivo do Distrito Federal. Os lojistas estão se organizando, criando estratégias e enxergando no evento uma oportunidade de ampliar vendas e fortalecer seus negócios."
Um lembrete importante para o empresário brasiliense
Toda essa expectativa de vendas tem uma regra que não muda: como o Política ao Quadrado já informou, bares, restaurantes e distribuidoras de bebidas do DF não terão horário estendido durante a Copa. O funcionamento segue os horários previstos em cada licença — e a fiscalização do DF Legal será reforçada nos dias de jogos do Brasil. Estabelecimentos que quiserem montar estruturas especiais — telão externo, área ampliada ou eventos com entrada cobrada — precisam de licença prévia na administração regional.
Copa do Mundo 2026 — jogos do Brasil: marque na agenda
Sex, 13/06 — Brasil x Marrocos | 19h | MetLife Stadium — Nova York/Nova Jersey
Sex, 19/06 — Brasil x Haiti | 21h30 | Lincoln Financial Field — Filadélfia
Qua, 24/06 — Escócia x Brasil | 19h | Hard Rock Stadium — Miami
Política ao Quadrado
0 Comentários