Com as convenções partidárias em andamento até 5 de agosto, o mapa eleitoral do Distrito Federal começa a se definir. Oito candidatos disputam o Palácio do Buriti; Leila do Vôlei e Michelle Bolsonaro travam batalha pelas duas vagas no Senado. Pesquisa do Paraná Pesquisas traça o cenário — e revela surpresas
O relógio eleitoral do Distrito Federal está em contagem regressiva. Desde o dia 20 de julho, os partidos políticos realizam suas convenções para definir candidatos e coligações que disputarão as eleições de 4 de outubro de 2026 — e o prazo se encerra em 5 de agosto. Em menos de onze dias, o mapa político do DF estará definido: quem vai ao Palácio do Buriti, quem disputa as duas cadeiras do Senado, quem concorre à Câmara dos Deputados e quem quer uma vaga na Câmara Legislativa do DF.
Para o eleitor brasiliense, este é o momento de prestar atenção. As convenções são o rito que transforma pré-candidatos em candidatos oficiais — e algumas das escolhas que serão feitas nas próximas semanas vão moldar a política do DF pelos próximos quatro anos.
O Palácio do Buriti: oito candidatos, uma disputa em aberto
A corrida pelo governo do Distrito Federal nunca foi tão disputada. Os políticos de olho no Palácio do Buriti são: a atual governadora Celina Leão (PP); o senador Izalci Lucas (PL); o ex-governador José Roberto Arruda (PSD); o advogado Kiko Caputo (Novo); o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT); a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB); o ex-interventor da Segurança no DF Ricardo Cappelli (PSB); e Samara Mineiro (UP).
Celina Leão (PP) chega ao pleito com a vantagem de quem governa. Assumiu o GDF em março, após Ibaneis Rocha renunciar para disputar o Senado, e constrói sua candidatura sobre a estrutura do governo. A candidatura de Celina à reeleição será formalizada na convenção do PP, marcada para 2 de agosto. O nome de Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador deve ser confirmado no mesmo evento. Nas pesquisas, levantamento Correio/OPINIÃO realizado em junho mostrou a governadora com 27,8% das intenções de voto.
José Roberto Arruda (PSD) aparece logo atrás nas pesquisas, com 23,5% das intenções de voto — em empate técnico com Celina dentro da margem de erro. O PSD deve confirmar o nome de Arruda como candidato ao GDF em 1º de agosto. Há, no entanto, uma nuvem sobre sua candidatura: Arruda ficou inelegível após ser condenado em seis ações de improbidade administrativa oriundas da Operação Caixa de Pandora. A questão da elegibilidade deve ser decidida pela Justiça Eleitoral nos próximos meses.
Izalci Lucas (PL) vive uma situação peculiar dentro do próprio partido. O senador se apresenta como pré-candidato ao GDF, mas a pré-candidatura de Izalci chegou a ser rebatida por membros do PL, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chegou a dizer que o partido irá apoiar a pré-candidatura de Celina Leão. O PL marcou sua convenção para 5 de agosto — o último dia do calendário — e o partido ainda precisa decidir se apoia Celina Leão ou se lança um nome próprio. É a principal indefinição da eleição para o GDF.
Ricardo Cappelli (PSB) — que o Política ao Quadrado já entrevistou em edições anteriores — terá sua candidatura oficializada pelo PSB em 3 de agosto. O ex-interventor da Segurança no DF busca construir uma terceira via entre os campos da direita e da esquerda.
Paula Belmonte (PSDB), por sua vez, deve ter o nome confirmado pela sigla em 4 de agosto. A deputada distrital aposta na renovação e no perfil técnico para se diferenciar no campo.
Leandro Grass (PT) — a expectativa é que o partido oficialize a candidatura do ex-deputado distrital na última semana de julho. O PT quer marcar presença com um nome de esquerda clara e histórico de militância no DF.
Kiko Caputo (Novo) terá sua candidatura lançada em 31 de julho pelo Novo, partido que aposta no perfil liberal e no eleitorado que busca alternativa à política tradicional do quadradinho.
Samara Mineiro (UP) — a professora foi a primeira a oficializar sua candidatura, com convenção da Unidade Popular realizada em 23 de julho.
O Senado: duelo feminino e pesquisa que surpreende
São duas vagas para o Senado — e a corrida pelo Senado pelo DF está se tornando uma das mais acirradas e interessantes do país. O Instituto Paraná Pesquisas revelou que, na corrida pelo Senado do DF em 2026, Leila do Vôlei (PDT) lidera com 39,2% das intenções de voto, seguida por Michelle Bolsonaro (PL) com 36,0%. Entre os demais candidatos, Erika Kokay (PT) tem 28,4%, Bia Kicis (PL) 18,3% e Sebastião Coelho (Novo) 9,8%.
A pesquisa — realizada entre os dias 17 e 19 de julho com 1.500 eleitores do Distrito Federal, margem de erro de 2,6 pontos percentuais e registrada no TSE sob o número DF-01326/2026 — revela três aspectos importantes sobre a corrida ao Senado:
Primeiro: Leila e Michelle em empate técnico. No primeiro cenário estimulado da pesquisa, que não inclui Ibaneis Rocha como concorrente, Leila do Vôlei aparece com 39,2% das intenções de voto, enquanto Michelle Bolsonaro segue de perto com 36%. Essa diferença é considerada um empate técnico, dado que está dentro da margem de erro da pesquisa.
Segundo: Michelle tem a maior rejeição. Apesar da liderança nas intenções de voto ao lado de Leila, Michelle Bolsonaro registra a maior taxa de rejeição entre os concorrentes, com 23,9% dos eleitores afirmando que não votariam nela de jeito nenhum. Leila do Vôlei tem rejeição de apenas 10,1%.
Terceiro: a candidatura de Michelle é incerta. A participação de Michelle Bolsonaro no pleito permanece como uma incógnita devido a um atrito político dentro do próprio Partido Liberal. A relação da ex-primeira-dama com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pela legenda, deteriorou-se após divergências estratégicas. Celina Leão afirma acreditar na candidatura de Michelle ao Senado: "Em todas as pesquisas, colocam-na em primeiro lugar. Então, acho que isso é realmente algo de que ela não pode abrir mão."
No cenário sem Michelle, Leila do Vôlei amplia a liderança para 41,6%, enquanto Erika Kokay assume o segundo lugar, com 30,4%.
O calendário que define tudo
O eleitor que quiser acompanhar de perto a definição dos candidatos tem estas datas para marcar no calendário:
31 de julho — Novo oficializa Kiko Caputo ao GDF
1º de agosto — PSD oficializa José Roberto Arruda ao GDF
2 de agosto — PP oficializa Celina Leão ao GDF e Gustavo Rocha como vice
3 de agosto — PSB oficializa Ricardo Cappelli ao GDF
4 de agosto — PSDB oficializa Paula Belmonte ao GDF
5 de agosto — PL realiza convenção e define se apoia Celina ou lança candidato próprio
15 de agosto — Último dia para registro oficial das candidaturas na Justiça Eleitoral
16 de agosto — Início da campanha eleitoral oficial nas ruas e nas redes sociais
4 de outubro — Primeiro turno das eleições
25 de outubro — Eventual segundo turno
O que está em jogo para o brasiliense
Esta eleição tem dimensões que vão muito além do pleito ordinário. O Distrito Federal vai eleger um governador que vai gerir o BRB em plena crise de capitalização, decidir o futuro do Centrad, conduzir a construção do metrô para as regiões administrativas mais distantes e administrar uma cidade que cresceu de forma acelerada e ainda cobra infraestrutura à altura.
Para o Senado, as duas vagas do DF vão para uma Casa que votará a regulamentação da reforma tributária, as novas regras trabalhistas da PEC 6×1 — aprovada pela Câmara em maio — e as disputas comerciais com os EUA, cujas tarifas entraram em vigor esta semana.
O Política ao Quadrado acompanhará cada convenção, cada pesquisa e cada movimento do xadrez eleitoral do DF até outubro. Fique ligado.
Resumo: quem disputa o quê no DF
Governador do DF — candidatos confirmados ou prestes a confirmar: Celina Leão (PP) | Izalci Lucas (PL — em aberto) | José Roberto Arruda (PSD) | Ricardo Cappelli (PSB) | Paula Belmonte (PSDB) | Leandro Grass (PT) | Kiko Caputo (Novo) | Samara Mineiro (UP)
Senado Federal — principais nomes: Leila do Vôlei (PDT) | Michelle Bolsonaro (PL — indefinida) | Erika Kokay (PT) | Bia Kicis (PL) | Sebastião Coelho (Novo) | Izalci Lucas (PL)
Política ao Quadrado

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