A um mês do primeiro turno, Celina Leão aparece na liderança, Leandro Grass ganha espaço e a candidatura de José Roberto Arruda enfrenta uma batalha judicial que pode alterar a disputa pelo Palácio do Buriti
A eleição para o Governo do Distrito Federal entrou definitivamente em sua fase decisiva. Faltando exatamente um mês para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o eleitor brasiliense acompanha uma disputa que ganhou um novo ingrediente nos últimos dias: a situação jurídica do ex-governador José Roberto Arruda.
O momento é especialmente interessante porque uma nova pesquisa eleitoral mostra um cenário relativamente estável na corrida pelo Palácio do Buriti, mas foi realizada antes da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) que indeferiu o registro da candidatura de Arruda.
Ou seja: os números mostram uma fotografia do eleitorado antes da decisão judicial. O que acontecerá depois dela ainda será medido pelas próximas pesquisas.
E é justamente aí que pode estar uma das principais viradas da eleição.
Celina segue na frente
A terceira rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostra a governadora Celina Leão (PP) na liderança da corrida pelo GDF, com 32% das intenções de voto na pesquisa estimulada.
José Roberto Arruda (PSD) aparece em segundo, com 23,3%, enquanto Leandro Grass (PT) ocupa a terceira posição, com 12,5%.
Na comparação com a rodada anterior, realizada em agosto, Celina praticamente manteve seu desempenho: havia registrado 32,4%. Arruda também oscilou pouco, passando de 24% para 23,3%.
O movimento mais significativo entre os principais candidatos aparece no desempenho de Leandro Grass, que subiu de 9,8% para 12,5%.
A pesquisa ouviu presencialmente 1.121 eleitores em 31 das 33 regiões administrativas do DF, entre 29 e 31 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Mas existe um detalhe que muda a leitura da pesquisa
A pesquisa foi realizada antes da decisão do TRE-DF sobre Arruda.
Na quinta-feira, 3 de setembro, o tribunal decidiu indeferir o registro da candidatura do ex-governador ao cargo de governador do DF.
A decisão está relacionada a uma condenação por improbidade administrativa em processo derivado da Operação Caixa de Pandora e à aplicação da Lei da Ficha Limpa. Arruda anunciou que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Enquanto o processo não tiver uma decisão definitiva, ele pode continuar realizando atos de campanha, inclusive propaganda eleitoral, conforme decisão do próprio TRE-DF.
Isso significa que a disputa ainda está longe de ter uma configuração definitiva.
O que acontece com os votos de Arruda?
Essa é provavelmente uma das perguntas mais importantes para os próximos levantamentos.
A própria pesquisa Correio/Opinião tentou antecipar esse cenário e apresentou aos entrevistados uma simulação sem a presença de Arruda.
Nesse cenário, Celina Leão sobe de 32% para 38,9%.
Leandro Grass passa de 12,5% para 14,2%, enquanto Paula Belmonte vai de 3,5% para 7%.
Ricardo Cappelli também cresce, de 1,7% para 3,3%, e Kiko Caputo passa de 2,3% para 2,7%.
Os números mostram que os votos de Arruda não migram integralmente para um único candidato. Eles são distribuídos entre diferentes nomes, além de haver uma parcela expressiva de eleitores que poderia optar por branco, nulo ou permanecer indecisa.
É importante destacar, porém, que essa simulação foi feita antes do indeferimento efetivo da candidatura. Portanto, ela não deve ser interpretada como uma previsão do resultado da eleição.
A eleição pode mudar justamente agora
O novo cenário coloca os partidos diante de um desafio importante.
Se a candidatura de Arruda for mantida após os recursos, a disputa tende a continuar com três nomes principais ocupando posições distintas no eleitorado.
Se a Justiça Eleitoral mantiver o impedimento, entretanto, o cenário muda.
Nesse caso, os partidos terão de disputar um eleitorado que hoje está concentrado, em parte, no ex-governador.
E não necessariamente esse eleitor migrará para o candidato ideologicamente mais próximo.
É justamente por isso que as próximas semanas serão fundamentais.
Celina tem vantagem, mas ainda não pode considerar a eleição definida
Os números atuais favorecem Celina Leão, mas não indicam uma vitória garantida.
Na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao entrevistado, 38,8% ainda não sabem em quem votar.
Celina aparece com 23,4%, Arruda com 14% e Grass com 7,3%.
Esse percentual de eleitores ainda sem candidato mostra que existe espaço significativo para mudanças até outubro.
Outro indicador que merece atenção é a rejeição.
Celina aparece com 26,1%, Arruda com 21,4% e Grass com 20%. Considerando a margem de erro, os três estão próximos nesse quesito.
Isso significa que, embora Celina esteja na frente nas intenções de voto, também existe uma parcela importante do eleitorado que apresenta resistência à sua candidatura.
E se houver segundo turno?
O levantamento também testou possíveis confrontos.
Em uma disputa entre Celina e Arruda, a governadora aparece com 45,3%, contra 37,1% do ex-governador.
Contra Leandro Grass, Celina teria 54,4%, enquanto o petista registraria 27,4%.
Já em um eventual segundo turno entre Arruda e Grass, o ex-governador aparece com 50,1%, contra 28,6% do petista.
Esses números ajudam a explicar por que a situação jurídica de Arruda é tão relevante para o tabuleiro eleitoral.
A eventual ausência dele não representa apenas a retirada de um nome da urna. Ela pode alterar a composição de um possível segundo turno.
Senado também terá disputa acirrada
Enquanto o Buriti concentra as atenções, outra eleição promete ser bastante competitiva: a corrida pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado.
Segundo a mesma pesquisa, Michelle Bolsonaro (PL) aparece com 21% e Leila do Vôlei (PDT) com 17,8%.
Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, as duas estão tecnicamente empatadas.
Érika Kokay (PT) aparece com 12,2%, enquanto Bia Kicis (PL) registra 11,6%.
Como o eleitor escolherá dois nomes para o Senado, a dinâmica dessa disputa é diferente da eleição para governador.
Câmara Federal e CLDF também entram no jogo
A eleição proporcional completa o tabuleiro.
Para deputado federal, a pesquisa aponta Rafael Prudente (MDB) com 3,7%, Fred Linhares (Republicanos) com 3% e Júlio César (Republicanos) com 2,6%.
Na disputa pela Câmara Legislativa, Jaqueline Silva (MDB) e Chico Vigilante (PT) aparecem empatados, com 2,1% cada. Joaquim Roriz Neto (PL) aparece com 1,8%, seguido por Robério Negreiros (Podemos), com 1,6%.
Os números são de pesquisa espontânea e, portanto, não significam necessariamente que esses candidatos serão os mais votados ao final. A eleição proporcional envolve regras próprias de distribuição das cadeiras entre partidos e federações.
A aprovação do governo também pesa
Outro dado importante para compreender a disputa pelo Buriti é a avaliação da atual administração.
Segundo a pesquisa Correio/Opinião, 48,4% dos entrevistados aprovam a gestão de Celina Leão, enquanto 38,6% desaprovam.
Na avaliação qualitativa, 29,6% consideram a administração ótima ou boa, 35,1% classificam como regular, 19,7% como péssima e 8,6% como ruim.
É um cenário que ajuda a explicar a posição competitiva da governadora na corrida eleitoral, mas também mostra que existe um contingente expressivo de eleitores que ainda pode ser disputado.
O que observar daqui para frente
Com apenas 30 dias até o primeiro turno, alguns movimentos deverão ser acompanhados de perto.
O primeiro é a situação de Arruda na Justiça Eleitoral.
O recurso apresentado ao TSE poderá definir se ele continuará efetivamente na disputa ou se seu nome deixará de fazer parte do processo eleitoral.
O segundo é o comportamento dos eleitores de Arruda.
Caso a candidatura seja definitivamente barrada, será necessário observar para onde esse eleitorado irá.
O terceiro é o crescimento de Leandro Grass.
O candidato petista foi um dos nomes que mais avançou na pesquisa e pode tentar ocupar o espaço deixado por uma eventual mudança no campo adversário.
O quarto é a capacidade de Celina manter sua liderança.
A governadora parte de uma posição confortável, mas ainda existe uma parcela considerável de eleitores que não definiu seu voto.
E, em uma eleição de segundo turno, rejeição e capacidade de ampliar alianças podem ser tão importantes quanto a vantagem obtida no primeiro turno.
A eleição ainda está aberta
Se existe uma conclusão possível a partir dos números de hoje, é que a eleição para o Governo do Distrito Federal está longe de estar decidida.
Celina Leão lidera e aparece à frente nos cenários de segundo turno testados pela pesquisa.
Arruda mantém uma base eleitoral relevante, mas enfrenta uma batalha jurídica que pode mudar completamente sua trajetória eleitoral.
Leandro Grass aparece em crescimento e tem espaço para avançar.
E existe ainda uma quantidade significativa de eleitores que não escolheu definitivamente seu candidato.
O cenário, portanto, pode mudar bastante nas próximas semanas.
Para o eleitor brasiliense, o momento exige atenção. A campanha entrou na reta final e, com ela, aumentam também as pesquisas, debates, promessas, confrontos políticos e conteúdos nas redes sociais.
Mais do que nunca, será importante conferir a origem das informações, comparar propostas e entender o que efetivamente está sendo decidido.
Porque, em 4 de outubro, o eleitor não escolherá apenas um governador. Estará definindo também a composição política que acompanhará o Distrito Federal pelos próximos anos.
Política ao Quadrado

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