Em pleno verão, quando se fala em saúde em Brasília, muita gente associa os riscos apenas ao período de seca. Mas o que poucos percebem é que o calor úmido também pode provocar desidratação — e de forma silenciosa.
Com temperaturas na casa dos 26 °C a 30 °C e umidade elevada por causa das chuvas frequentes de fevereiro, o corpo trabalha dobrado para regular a temperatura. E é justamente aí que mora o perigo.
Por que o calor úmido também desidrata?
Quando o clima está seco, o suor evapora rapidamente e a sensação de boca seca aparece mais cedo. Já no calor úmido, o suor não evapora com a mesma eficiência — o que dificulta a troca de calor do corpo com o ambiente.
Resultado:
- o organismo sua mais;
- perde líquidos e eletrólitos;
- e nem sempre a sede acompanha essa perda.
Muitas pessoas só percebem que estão desidratadas quando os sintomas já estão instalados.
Os sinais que quase ninguém percebe
A chamada desidratação leve ou moderada pode se manifestar com:
- dor de cabeça persistente;
- cansaço fora do normal;
- tontura ao levantar;
- irritabilidade;
- urina mais escura;
- sensação de fraqueza muscular.
No calor úmido, esses sintomas costumam ser confundidos com “preguiça”, estresse ou má noite de sono.
Quem corre mais risco
Alguns grupos precisam redobrar atenção:
- crianças e idosos;
- pessoas que praticam atividade física ao ar livre;
- quem consome álcool com frequência (especialmente em períodos festivos);
- pessoas com pressão baixa;
- trabalhadores expostos ao sol.
O álcool, inclusive, acelera a perda de líquidos e pode mascarar os sinais de alerta.
Quanto de água é suficiente?
Não existe um número mágico igual para todos. A recomendação geral de 2 litros por dia pode não ser suficiente em dias quentes e úmidos.
Uma orientação prática:
- observe a cor da urina (quanto mais clara, melhor hidratado você está);
- não espere sentir sede para beber água;
- distribua a ingestão ao longo do dia;
- inclua frutas ricas em água, como melancia, melão e laranja.
Em casos de suor excessivo, bebidas com reposição de eletrólitos podem ser indicadas — mas sempre com orientação profissional se houver condições de saúde associadas.
O efeito na rotina urbana
O calor úmido não impacta apenas o corpo individualmente — ele interfere na produtividade, no humor e na disposição coletiva da cidade. A sensação de abafamento aumenta o desgaste físico e mental, especialmente em ambientes fechados e pouco ventilados.
Em Brasília, onde o clima alterna entre extremos ao longo do ano, adaptar os hábitos às condições atuais é uma estratégia inteligente de prevenção.
Pequenas atitudes, grande diferença
- Tenha sempre uma garrafa de água por perto.
- Evite longos períodos sob sol intenso (11h às 16h).
- Prefira roupas leves e claras.
- Mantenha ambientes ventilados.
- Reduza consumo de bebidas alcoólicas em dias muito quentes.
Desidratação não começa com desmaio. Começa com sinais sutis.
E saúde, muitas vezes, está em perceber o que o corpo sussurra antes que ele precise gritar.
Política ao Quadrado

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