Michelle Bolsonaro aparece na liderança em nova pesquisa, mas segunda vaga está aberta entre Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay; eleitor brasiliense terá dois votos para o Senado em outubro
A disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado Federal começa a ganhar contornos mais definidos — e, ao mesmo tempo, fica mais difícil de prever.
Uma nova pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta quarta-feira (9), coloca Michelle Bolsonaro (PL) na liderança, com 26% das intenções de voto. Na sequência aparecem Leila do Vôlei (PDT) e Bia Kicis (PL), ambas com 17%, enquanto Erika Kokay (PT) registra 15%.
Com margem de erro de dois pontos percentuais, Leila, Bia e Erika estão tecnicamente empatadas na briga pela segunda vaga.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores do Distrito Federal entre os dias 4 e 8 de setembro, por telefone e pela internet. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-09600/2026.
Uma eleição diferente da disputa pelo Buriti
A primeira coisa que o eleitor precisa entender é que a eleição para o Senado funciona de maneira diferente da disputa para governador.
Em 2026, cada eleitor do Distrito Federal terá dois votos para o Senado, porque duas das três cadeiras destinadas ao DF estarão em disputa. Os dois candidatos mais votados serão eleitos.
Isso muda completamente a dinâmica da campanha.
Um candidato não precisa necessariamente liderar isoladamente para conquistar uma das cadeiras. Ao mesmo tempo, uma diferença aparentemente pequena pode ser decisiva para determinar quem ficará com a segunda vaga.
É por isso que a disputa entre Leila, Bia e Erika merece atenção especial.
Michelle abre vantagem
Com 26%, Michelle Bolsonaro aparece nove pontos à frente das três candidatas que vêm logo atrás.
A ex-primeira-dama também apareceu na liderança em pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (8), na qual registrou os mesmos 26%.
Naquele levantamento, Leila do Vôlei apareceu com 17%, Erika Kokay com 13% e Bia Kicis com 11%. A pesquisa ouviu 1.104 eleitores entre 4 e 7 de setembro e tinha margem de erro de três pontos percentuais.
A coincidência entre os dois levantamentos — ambos apontando Michelle com 26% — é um dado que chama atenção.
Mas é importante não transformar isso em certeza de eleição. Pesquisas são fotografias de determinado momento e não antecipam o resultado das urnas.
A segunda vaga é o verdadeiro campo de batalha
Se Michelle aparece à frente, a situação muda completamente quando se olha para a segunda cadeira.
Na RealTime Big Data, Leila e Bia aparecem com 17%, enquanto Erika tem 15%.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, as três estão tecnicamente empatadas.
Isso significa que não existe hoje uma segunda colocada isolada com vantagem estatisticamente segura.
Na prática, pequenas mudanças no comportamento do eleitorado podem alterar a ordem entre as três.
E ainda há outro candidato no radar: Sebastião Coelho (Novo), que aparece com 10% na pesquisa.
Embora esteja atrás do grupo que disputa a segunda vaga, sua pontuação mostra que a corrida não está restrita aos quatro nomes que lideram o levantamento.
Leila tenta preservar espaço
Leila do Vôlei chega à reta final da campanha com uma posição competitiva.
Atual senadora pelo Distrito Federal, ela busca a reeleição e aparece com 17% na RealTime Big Data.
O desempenho também é semelhante ao registrado na pesquisa Quaest, na qual marcou 17%.
A estabilidade entre os dois levantamentos pode ser um ponto positivo para a campanha, mas a margem apertada em relação a Bia e Erika mostra que a disputa continua aberta.
Com duas vagas em jogo, Leila precisa não apenas manter sua base, mas também evitar que os concorrentes avancem sobre o eleitorado ainda indeciso.
Bia Kicis aparece empatada com Leila
Bia Kicis, deputada federal pelo Distrito Federal e candidata ao Senado pelo PL, também aparece com 17% na nova pesquisa.
O resultado chama atenção porque ela está no mesmo partido de Michelle Bolsonaro, que lidera a disputa.
Isso coloca o PL em uma situação peculiar: duas candidatas do mesmo partido aparecem entre as principais concorrentes pelas duas vagas.
A estratégia eleitoral da legenda e a maneira como os eleitores identificados com o partido distribuirão seus dois votos poderão ser importantes para o resultado final.
Erika Kokay tenta avançar
Erika Kokay aparece com 15% na RealTime Big Data e 13% na Quaest.
Embora esteja numericamente atrás de Leila e Bia, a diferença é pequena o suficiente para manter a candidatura competitiva.
A petista tem experiência no cenário político do DF e busca uma das duas cadeiras em disputa.
Com uma parcela do eleitorado ainda sem decisão, a campanha terá nas próximas semanas uma oportunidade de ampliar sua presença e tentar transformar a proximidade atual em vantagem.
Sebastião Coelho também aparece no radar
Outro nome que merece atenção é o de Sebastião Coelho, do Novo.
Ele registra 10% na RealTime Big Data.
A distância em relação ao trio que aparece com 17%, 17% e 15% ainda é considerável, mas a presença de 10% mostra que existe um eleitorado disposto a escolher um candidato fora do grupo principal.
A capacidade de crescimento dependerá, entre outros fatores, da exposição que cada campanha conseguirá obter e da movimentação dos eleitores que ainda não definiram seu voto.
Ainda existe espaço para mudança
A pesquisa mostra que 7% dos entrevistados declararam voto branco ou nulo, enquanto outros 7% não souberam ou não responderam.
Somados, são 14% que não aparecem como votos destinados a nenhum dos candidatos apresentados no levantamento.
Esse número é relevante porque estamos a poucas semanas do primeiro turno.
Além disso, pesquisas diferentes apresentam pequenas variações entre os candidatos, reforçando que o cenário ainda está em movimento.
Na prática, a campanha terá de conquistar principalmente aquele eleitor que ainda não transformou uma preferência momentânea em uma decisão definitiva.
O que pode decidir a segunda vaga?
A disputa pelo Senado no DF deverá passar por alguns fatores.
O primeiro é a capacidade de cada candidato consolidar sua base política.
O segundo é a capacidade de alcançar eleitores que ainda não decidiram os dois votos.
E há uma particularidade importante: como cada eleitor escolherá dois senadores, as campanhas não disputam necessariamente um eleitor de maneira exclusiva.
Um eleitor pode, por exemplo, escolher candidatos de grupos políticos diferentes para suas duas opções.
Isso torna a estratégia eleitoral mais complexa e pode produzir combinações diferentes entre os eleitos.
Senado pode ter peso importante para Brasília
A eleição não diz respeito apenas à composição política de Brasília.
Os senadores representam o Distrito Federal no Congresso Nacional e participam de decisões que afetam diretamente a capital.
Também possuem papel importante na discussão do orçamento federal, na análise de projetos de lei e na fiscalização das ações do Executivo.
Para o DF, que depende de decisões e recursos federais em diversas áreas, a composição de sua bancada no Senado tem peso político relevante.
Por isso, a escolha das duas cadeiras merece a mesma atenção dedicada à eleição para o Palácio do Buriti.
O cenário de hoje
A fotografia apresentada pela RealTime Big Data pode ser resumida assim:
Michelle Bolsonaro — 26%
Leila do Vôlei — 17%
Bia Kicis — 17%
Erika Kokay — 15%
Sebastião Coelho — 10%
Ronaldo Fonseca — 2%
Guto Felício dos Santos — 1%
Branco/nulo — 7%
Não sabe/não respondeu — 7%
Os demais candidatos testados ficaram abaixo de 1%.
A eleição ainda está aberta
Se há uma conclusão possível a partir dos levantamentos mais recentes, é que a primeira vaga aparece mais encaminhada nas pesquisas, mas a segunda continua completamente em disputa.
Michelle Bolsonaro aparece na frente nos dois levantamentos mais recentes, ambos com 26%.
Já Leila, Bia e Erika estão próximas, com diferenças que ficam dentro ou próximas das respectivas margens de erro.
E Sebastião Coelho aparece logo atrás, mantendo uma candidatura que também merece ser acompanhada.
Até 4 de outubro, portanto, muita coisa ainda pode acontecer.
A campanha entra agora em uma fase em que cada debate, entrevista, aliança e movimento de rua pode fazer diferença.
Para o eleitor brasiliense, a melhor estratégia é não olhar apenas quem está na frente. É entender quem são os candidatos, o que defendem e qual projeto pretendem levar para o Senado.
Porque, desta vez, Brasília não escolherá apenas um nome.
Serão dois votos — e duas cadeiras capazes de mudar o equilíbrio político do Distrito Federal no Congresso Nacional.
Política ao Quadrado

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