Para quem precisa de atendimento médico, alguns quilômetros podem fazer muita diferença. Uma consulta de rotina, o acompanhamento de uma doença crônica ou uma orientação de enfermagem ficam mais acessíveis quando a unidade de saúde está próxima de casa.
Essa é justamente a proposta por trás da expansão da Atenção Primária no Distrito Federal. Um exemplo recente está no Itapoã, onde a UBS 5 começou a funcionar nesta segunda-feira (14), no Itapoã Parque, com capacidade para acompanhar aproximadamente 4 mil pessoas.
A nova unidade chega a uma região que, segundo a Secretaria de Saúde do DF, tem cerca de 30 mil moradores. Antes da abertura, parte dos residentes do Itapoã Parque precisava procurar atendimento em outras unidades, principalmente na região central do Itapoã ou no Paranoá.
Mais do que uma nova porta de entrada para consultas, a UBS ajuda a colocar em discussão uma questão importante para o crescimento do Distrito Federal: como fazer com que os serviços públicos acompanhem a expansão das regiões onde as pessoas vivem?
O que uma UBS faz?
A Unidade Básica de Saúde é considerada a principal porta de entrada da Atenção Primária do SUS.
É ali que o morador pode buscar atendimento para diferentes necessidades, desde consultas e acompanhamento de doenças crônicas até vacinação, prevenção, planejamento reprodutivo e alguns procedimentos.
No DF, as equipes das UBSs podem ser formadas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, entre outros profissionais. A rede também realiza ações de prevenção, acompanhamento de gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
A lógica é evitar que todo problema de saúde precise começar em um hospital.
Uma pessoa que precisa acompanhar regularmente hipertensão ou diabetes, por exemplo, pode ser acompanhada pela equipe da Atenção Primária. Quando há necessidade de um atendimento especializado, a própria rede pode encaminhar o paciente para outro serviço.
Itapoã ganha uma nova porta de entrada
A UBS 5 do Itapoã começou a funcionar com uma equipe de Saúde da Família formada inicialmente por médica, enfermeira, técnica de enfermagem e dois agentes comunitários de saúde.
A estrutura conta com consultórios, sala de medicação, sala de curativos, recepção e espaços de apoio.
Entre os serviços disponíveis estão consultas médicas e de enfermagem, acompanhamento de pessoas com diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas, além de planejamento reprodutivo.
A unidade também oferece inserção de DIU e Implanon e testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis.
A oferta de serviços será ampliada gradualmente. Neste primeiro momento, coleta de exames, atendimento odontológico e farmácia continuam sendo realizados nas UBSs 2 e 3 do Itapoã.
Quando o posto fica mais perto, o acesso muda
A distância entre o morador e o serviço de saúde pode parecer um detalhe, mas interfere diretamente na rotina.
Uma pessoa que precisa atravessar uma região ou utilizar transporte público para chegar a uma consulta pode ter mais dificuldade para manter acompanhamentos regulares, especialmente quando precisa comparecer várias vezes ao serviço.
Por isso, ampliar a rede de Atenção Primária significa também pensar em acesso.
A ideia não é apenas construir unidades, mas distribuir os serviços de maneira compatível com a população e com as características de cada território.
Doenças crônicas exigem acompanhamento contínuo
Um dos papéis importantes das UBSs é acompanhar pessoas que convivem com doenças crônicas.
Hipertensão e diabetes, por exemplo, normalmente exigem acompanhamento regular, orientação e monitoramento.
A Atenção Primária permite que esse cuidado aconteça de forma contínua, em vez de depender exclusivamente de atendimentos pontuais.
Esse acompanhamento também pode ajudar a identificar alterações de saúde mais cedo e orientar o paciente sobre prevenção e tratamento.
A UBS também trabalha com prevenção
A imagem de “postinho” muitas vezes faz com que as pessoas pensem apenas em consulta médica.
Mas a Atenção Primária é mais ampla.
Vacinação, acompanhamento de gestantes, saúde da mulher, planejamento reprodutivo, testes rápidos para ISTs, ações contra doenças transmitidas por mosquitos e acompanhamento de diferentes fases da vida fazem parte das atividades que podem ser realizadas na rede.
Isso significa que procurar uma UBS não deve ser uma atitude reservada apenas para quando aparece algum sintoma.
A prevenção também faz parte do atendimento.
E quando o problema precisa de um especialista?
Nem todo problema de saúde pode ser resolvido na UBS.
Quando o profissional identifica a necessidade de atendimento com um especialista, como cardiologista, oftalmologista, ortopedista ou neurologista, o paciente pode ser encaminhado pela rede de regulação para outro serviço.
Essa divisão de responsabilidades é importante.
A UBS funciona como uma porta de entrada e como espaço de acompanhamento contínuo, enquanto serviços especializados e hospitais atendem situações que exigem estruturas ou profissionais específicos.
A expansão acompanha o crescimento das regiões
O caso do Itapoã também ajuda a ilustrar um desafio maior do Distrito Federal.
Regiões que crescem precisam de escolas, transporte, comércio, áreas de lazer, infraestrutura e, naturalmente, serviços de saúde.
Quando uma nova área residencial se desenvolve, a demanda não aparece apenas nas ruas e nos imóveis. Ela também chega aos equipamentos públicos.
No Itapoã Parque, a estimativa é de aproximadamente 30 mil habitantes. A chegada de uma nova UBS representa justamente uma tentativa de aproximar a rede de saúde dessa população.
Um serviço público que começa pelo território
A lógica da Atenção Primária é essencialmente territorial.
A equipe conhece a população atendida, acompanha famílias e identifica necessidades que podem variar de uma região para outra.
É por isso que os agentes comunitários de saúde têm papel importante nesse modelo: eles ajudam a aproximar o serviço público da realidade dos moradores.
Quanto melhor essa conexão funciona, maior a possibilidade de identificar necessidades antes que elas se transformem em problemas mais complexos.
Como descobrir qual é a sua UBS?
No Distrito Federal, cada morador possui uma UBS de referência de acordo com o endereço de residência.
A Secretaria de Saúde mantém o Busca Saúde UBS, ferramenta que permite consultar a unidade de referência, endereço e horário de funcionamento.
É importante lembrar que, para vacinação, farmácia básica e situações de urgência, existem regras específicas que permitem buscar atendimento em outras unidades, independentemente do endereço residencial.
Serviço — UBS 5 do Itapoã
Onde: DF-001, nas proximidades do Condomínio 47, no Itapoã Parque.
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.
Atendimentos: consultas médicas e de enfermagem, acompanhamento de doenças crônicas, saúde da mulher, planejamento reprodutivo, inserção de DIU e Implanon e testes rápidos para ISTs.
Atenção: coleta de exames, atendimento odontológico e farmácia continuam, neste momento, nas UBSs 2 e 3 do Itapoã.
Saúde pública também é proximidade
A abertura de uma nova UBS pode parecer uma notícia local, mas revela uma questão que interessa a todo o Distrito Federal.
Quanto mais o DF cresce e novas áreas passam a concentrar moradores, maior é o desafio de fazer com que a estrutura pública acompanhe essa transformação.
Na saúde, isso significa ter unidades próximas, equipes suficientes, atendimento contínuo e uma rede capaz de encaminhar o paciente quando necessário.
A UBS 5 do Itapoã começa justamente nesse ponto: levar a porta de entrada do sistema de saúde para mais perto de quem mora em uma região que cresceu rapidamente.
No fim, a discussão sobre atenção básica não é apenas sobre prédios ou consultas.
É sobre uma pergunta bastante simples — e fundamental para qualquer cidade: quanto mais perto o serviço essencial estiver da população, mais fácil fica cuidar da saúde antes que o problema se torne maior.
Política ao Quadrado
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