A partir de sexta-feira (28/8), candidatos à Presidência, ao Senado, ao GDF e às câmaras legislativas ocupam 50 minutos diários na TV e no rádio — de segunda a sábado. Entenda como funciona, quem tem mais tempo, quando cada cargo aparece e por que isso ainda importa
A partir de sexta-feira (28/8), a rotina da televisão e do rádio brasileiros vai mudar. Em meio às novelas, aos programas de auditório e às músicas do dia, um bloco diferente vai entrar no ar: a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa marcando o início de uma etapa decisiva para alcançar eleitores indecisos em todo o país. As transmissões seguem até o dia 1º de outubro, combinando blocos diários fixos com inserções comerciais ao longo da programação.
Para o eleitor brasiliense — que além do presidente vai escolher governador, dois senadores, um deputado federal e um deputado distrital —, o horário eleitoral começa a entregar informações importantes sobre os candidatos. Este guia explica tudo o que você precisa saber.
Como funciona o horário eleitoral — em linguagem simples
O horário eleitoral gratuito não é propaganda comprada pelos candidatos. É um espaço cedido obrigatoriamente pelas emissoras de rádio e televisão — abertas e de sinal aberto — à Justiça Eleitoral, que o distribui entre os candidatos de acordo com regras definidas em lei.
A grade inclui 50 minutos diários em rede, divididos em dois blocos de 25 minutos no rádio e na TV, além de 70 minutos destinados a inserções diárias de 30 e 60 segundos, distribuídas entre 5h e meia-noite.
Os dois blocos de 25 minutos acontecem em horários definidos pelas emissoras — geralmente no início da noite, após o Jornal Nacional ou equivalente. As inserções curtas de 30 e 60 segundos aparecem ao longo da programação do dia, intercaladas com os comerciais normais.
Quem aparece em qual dia da semana
Um detalhe importante que muita gente não sabe: candidatos a cargos diferentes aparecem em dias diferentes da semana. A programação segue um sistema de rodízio:
Às terças, quintas e sábados — propaganda de candidatos à Presidência da República e a deputado federal.
Às segundas, quartas e sextas-feiras — campanhas de candidatos a senador, deputado estadual e governador.
Para o eleitor brasiliense, isso significa que nas segundas, quartas e sextas você verá os candidatos ao GDF — Celina Leão, Leandro Grass, Arruda, Cappelli, Belmonte e Caputo — e ao Senado — Leila do Vôlei, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Erika Kokay e outros. Nas terças, quintas e sábados, a tela é dos presidenciáveis e dos candidatos a deputado federal.
Quem tem mais tempo — e por quê
A distribuição do tempo não é igualitária — e isso é proposital. Noventa por cento do tempo é dividido proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022 pelas legendas ou federações que integram cada candidatura. Os 10% restantes são repartidos igualmente entre os partidos que cumpriram a cláusula de desempenho.
Na prática: quanto maior a bancada do partido ou coligação na Câmara dos Deputados, mais tempo o candidato tem. Na disputa presidencial, o cenário ficou assim:
Lula (Coligação Brasil Pronto para Mais): 5 minutos e 31 segundos diários — a maior fatia, por ter formado a maior aliança partidária.
Principal bloco de oposição: 4 minutos e 20 segundos de espaço diário nas transmissões.
Os demais candidatos dividem o tempo restante conforme o tamanho de suas bancadas.
Para os candidatos ao GDF e ao Senado do DF, o tempo é calculado pelo TRE-DF com base nos mesmos critérios. Celina Leão, com a maior coligação do DF — 12 partidos —, deve ter o maior tempo entre os candidatos ao governo distrital.
Além da TV e do rádio: inserções ao longo do dia
Além dos blocos fixos, os candidatos têm direito a inserções curtas que aparecem durante a programação normal das emissoras. São spots de 30 e 60 segundos pensados para atingir o eleitor que não assiste ao bloco completo — aparecendo entre um programa e outro ao longo de toda a grade.
A Coligação Brasil Pronto para Mais terá 433 inserções diárias; o PL, 339; o PSD, 159; o Avante, 47. Os demais partidos dividem o restante conforme sua representação na Câmara.
O horário eleitoral ainda faz diferença?
Desde a eleição de 2018, quando Bolsonaro foi eleito com apenas 8 segundos de tempo de TV, muita gente se pergunta se o horário eleitoral ainda tem relevância. A resposta dos especialistas é: depende do eleitor.
Para candidatos ao governo do DF, ao Senado e aos cargos legislativos — que têm muito menos exposição espontânea na mídia do que os presidenciáveis —, o horário eleitoral continua sendo uma das poucas oportunidades de apresentar propostas a um público amplo de forma gratuita. Para muitos eleitores, especialmente os mais velhos e os que não acompanham as redes sociais ativamente, ainda é o principal canal de informação eleitoral.
Para o eleitor jovem e conectado, o peso do horário eleitoral diminuiu — mas não desapareceu. As inserções curtas e os trechos compartilhados nas redes sociais ampliam o alcance do conteúdo produzido para o horário gratuito.
O calendário completo que o eleitor do DF precisa saber
28 de agosto — Começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV
4 de outubro — Primeiro turno das eleições
8 de outubro — Início da propaganda do segundo turno no rádio e na TV
25 de outubro — Segundo turno
No segundo turno, as regras mudam: os dois candidatos classificados terão exatamente o mesmo tempo de propaganda, independentemente do tamanho das bancadas dos partidos que compõem suas coligações. É o único momento em que a igualdade de tempo é total.
Como assistir — e como não se perder
Com 50 minutos diários de horário eleitoral mais dezenas de inserções ao longo do dia, o volume de conteúdo pode ser exaustivo — especialmente para quem já está em modo doomscrolling político nas redes sociais, como a Sexta da Saúde do Política ao Quadrado alertou no mês passado.
Algumas dicas práticas para absorver o horário eleitoral de forma saudável e produtiva:
Foque nos candidatos que você ainda não conhece bem — use o horário eleitoral para descobrir quem são os candidatos ao GDF e ao Senado, não apenas os presidenciáveis que já têm ampla cobertura.
Anote as propostas e verifique depois — candidatos fazem promessas no horário eleitoral que merecem checagem. Sites como Aos Fatos e Agência Lupa monitoram afirmações durante a campanha.
Não assista tudo todos os dias — escolha os dias em que o cargo que mais lhe interessa está em exibição e assista com atenção. Não precisa ver tudo para ser um eleitor informado.
Compare com o que vê nas redes — o horário eleitoral e as redes sociais frequentemente mostram versões diferentes do mesmo candidato. A comparação é sempre reveladora.
Faltam 39 dias para o primeiro turno
Com o horário eleitoral começando amanhã e o primeiro turno em 4 de outubro, o eleitor brasiliense entra na reta final do processo de decisão. São 39 dias — menos de seis semanas — para conhecer melhor os candidatos, comparar propostas e decidir em quem votar para cada um dos cinco cargos na urna eletrônica.
O Política ao Quadrado acompanha as eleições 2026 no Distrito Federal com cobertura completa até o segundo turno de 25 de outubro. Fique ligado.
Política ao Quadrado
Fontes: TSE, TRE-SP, TRE-MG e Congresso em Foco. O Política ao Quadrado acompanha as eleições 2026 no Distrito Federal com cobertura completa.
0 Comentários