Sexta da Saúde | "Gripe K" chega ao DF: uma morte confirmada, cobertura vacinal baixa e alerta para o inverno que vem aí

Variante H3N2 subclado K já circula em Brasília. Com apenas 23% dos idosos vacinados, epidemiologistas pedem urgência na imunização antes que os casos aumentem

Você está com febre alta que não cede, dor no corpo e cansaço fora do comum? Pode ser mais do que uma gripe comum. O Distrito Federal enfrenta neste abril a chegada oficial da chamada "Gripe K" — uma variante do vírus Influenza A (H3N2) que já circula pela capital e registrou sua primeira vítima fatal: uma adolescente de 17 anos.

O alerta é real, mas a vacina existe, é gratuita e está disponível. O problema é que poucos brasilienses estão indo buscá-la.

O que é a Gripe K?

A "Gripe K" não é um vírus completamente novo — trata-se do subtipo H3N2 do Influenza A, com uma variação genética específica chamada subclado K (clado 3C.2a1b.2a.2a.3a.1). O primeiro caso da variante no Brasil foi registrado em dezembro do ano passado, no estado do Pará.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram, em dezembro de 2025, um alerta sobre a circulação do vírus após o surgimento de casos na Europa, continente que havia registrado um aumento expressivo de internações por infecções respiratórias.

No DF, até 15 de abril, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) havia identificado o subtipo H3N2 subclado K em 13 amostras de vírus influenza A.

Os números em Brasília

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) confirmou seis casos da "Gripe K" em 2026, com o óbito de uma adolescente de 17 anos entre os pacientes. Os registros ocorreram entre os dias 5 e 11 de abril, durante a 14ª semana epidemiológica.

No mesmo período, o DF contabilizou 1.627 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 67 provocados pelo vírus influenza, incluindo os casos do subtipo H3N2.

A SES-DF ressalta, no entanto, que até o momento não há evidências de aumento na gravidade clínica associado ao subclado K, como maior número de internações, admissões em UTI ou óbitos além do padrão esperado para a época.

O alerta vem do vizinho Goiás

O cenário ganhou contornos mais preocupantes quando o estado de Goiás declarou emergência em saúde pública devido ao avanço da SRAG pela variante K. Com as fronteiras integradas e a circulação viral em alta em todo o Centro-Oeste, epidemiologistas advertem que o cenário exige uma postura proativa da saúde pública no DF e o retorno imediato do uso de máscaras por quem apresentar sintomas gripais.

Roberto Bittencourt, epidemiologista e professor doutor na Universidade Católica de Brasília, é direto: o GDF precisa acelerar a cobertura vacinal e intensificar as campanhas, com ações na atenção primária focadas no rastreio dos casos que evoluem com maior gravidade.

A vacina existe — mas poucos estão tomando

Este é o dado que mais preocupa as autoridades de saúde. A campanha de vacinação contra a influenza no DF começou em 25 de março e já aplicou mais de 100 mil doses, mas a cobertura vacinal ainda é considerada baixa: cerca de 23% entre idosos, 19,5% em gestantes e apenas 10% em crianças de 6 meses a menores de 6 anos.

A meta é vacinar mais de 1,1 milhão de pessoas, e a imunização está disponível gratuitamente em diversas unidades da SES-DF. A vacina deste ano protege contra três variantes do vírus influenza.

O infectologista Diogo Borges, do Hospital Anchieta, reforça que a vacina disponível no SUS é trivalente e gera anticorpos suficientes para reduzir sintomas e quadros graves da Gripe K.

Por que o inverno é o momento mais crítico?

O crescimento dos casos de março a julho ocorre principalmente devido ao clima mais frio e seco, que facilita a circulação do vírus e resseca as vias respiratórias, deixando o organismo mais vulnerável. Além disso, as pessoas tendem a se reunir mais em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que facilita a transmissão.

Brasília, com seu inverno de céu aberto e umidade que despenca, é um terreno historicamente favorável para surtos respiratórios. O momento de agir é agora — antes que os termômetros caiam de vez.

Quem deve se vacinar prioritariamente

São grupos prioritários para a vacinação gratuita no SUS: crianças de 6 meses a 5 anos; idosos a partir dos 60 anos; gestantes e puérperas; pessoas com comorbidades e deficiências; indígenas e quilombolas; população privada de liberdade; e profissionais de diversas categorias, como professores, caminhoneiros, policiais e militares.

Onde se vacinar em Brasília

A vacina está disponível gratuitamente em mais de 100 salas de vacina da rede pública do DF. Em caso de sintomas mais graves, recomenda-se procurar uma das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou os hospitais da rede SES-DF, onde o atendimento segue um protocolo de cores que define a gravidade do caso e o tempo de espera.

A vacina é gratuita. O posto é perto. A proteção, você decide.


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