Cobrança de bagagem despachada pode virar regra: entenda o que a Anac está propondo

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estuda a possibilidade de oficializar a cobrança pela bagagem despachada como regra nas passagens aéreas. A medida, que ainda está em fase de avaliação, faz parte de um pacote de ajustes regulatórios voltados para o setor aéreo com foco em transparência tarifária e melhoria na experiência do passageiro.

Na prática, a ideia é consolidar em regulamento aquilo que já acontece hoje: as companhias vendem passagens mais baratas sem franquia de bagagem, e o passageiro paga à parte caso queira despachar. A proposta reacende o debate sobre o custo das viagens e a promessa feita em 2017, quando a cobrança foi liberada sob o argumento de que os preços das passagens cairiam — algo que muitos consumidores dizem não ter acontecido.

O que está em discussão

Segundo a agência, a proposta pretende:

  • Padronizar as tarifas com ou sem bagagem para evitar dúvidas no momento da compra;
  • Aumentar a clareza na cobrança — as companhias deverão informar com mais destaque o valor total, incluindo taxas;
  • Permitir que o passageiro escolha entre tarifas promocionais ou com serviços incluídos;
  • Avaliar a possibilidade de um limite máximo de cobrança por mala despachada, evitando abusos;
  • Criar mecanismos de ressarcimento mais ágeis em caso de extravio ou avaria de bagagem.

E como ficam os direitos dos passageiros?

Caso a regulamentação avance, a Anac promete reforçar os direitos do consumidor, especialmente em relação a:

  • Extravio ou atraso de bagagem, com reembolso mais rápido;
  • Informação clara no site e no aplicativo das companhias aéreas;
  • Multas maiores para empresas que não cumprirem as regras;
  • Possibilidade de cancelamento da compra sem custo caso o valor final ultrapasse o informado inicialmente.

O que dizem os especialistas

Especialistas em direito do consumidor afirmam que regular a cobrança pode trazer mais clareza, mas alertam que “oficializar” a taxa sem contrapartidas pode consolidar um custo extra que antes estava incluído no valor da passagem. Para eles, o essencial é garantir transparência e proteção ao passageiro, evitando cobranças abusivas e falta de opções.

Vai ficar mais caro viajar?

Ainda não há definição sobre valores, e a Anac afirma que não está autorizando uma nova cobrança, mas organizando o sistema atual. No entanto, consumidores temem que a regulamentação abra caminho para mais taxas futuramente.

Enquanto isso, especialistas recomendam:

  • Comparar tarifas com atenção, especialmente as que incluem bagagem;
  • Comprar a franquia antecipadamente, já que o valor no balcão costuma ser mais alto;
  • Observar o peso e as medidas da mala de mão, que continuam gratuitas dentro do limite estabelecido.


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