Com o auxílio da Inteligência Artificial, incêndios são enfrentados no DF

A luta contra os incêndios ganhou um importante aliado: a Inteligência Artificial (IA). Desde o ano passado, o projeto Sem Fogo-DF tem fornecido tecnologia ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) para detectar e apagar queimadas com antecedência, ajudando na preservação ambiental. Utilizando câmeras instaladas na Torre de TV Digital, a nova ferramenta é capaz de identificar sinais de incêndios em um raio de 15 a 25 quilômetros.

Desenvolvido através de uma colaboração entre o Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB) e a Giga Candanga, uma associação dedicada ao avanço científico e tecnológico, o projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), com um custo total de R$ 700 mil.

As quatro câmeras na Torre de TV Digital, localizada no Setor Habitacional Taquari, capturam imagens em tempo real que são enviadas ao CBMDF. Conforme explica a coordenadora do projeto, Priscila Solis, professora da UnB, as câmeras têm alta capacidade de capturar imagens e vídeos com diferentes níveis de zoom.

Ao detectar sinais de fumaça ou fogo, a IA alerta os bombeiros sobre possíveis incêndios iminentes. "A corporação tem uma interface gráfica que destaca eventos com fogo em vermelho. Ao clicar nesses eventos, os bombeiros podem acessar a câmera que monitora a área e passar por uma análise da IA que identifica padrões de fumaça que podem indicar incêndios. Os bombeiros podem ajustar a câmera para examinar mais de perto e avaliar a situação", detalha Solis.


Aprimoramentos

No ano passado, o projeto apresentou alguns desafios, com o sistema ocasionalmente cometendo erros na detecção de incêndios precoces. Neste ano, ajustes foram feitos para melhorar a precisão. Segundo o pesquisador Paulo Angelo Alves Resende, da Giga Candanga, o sistema agora é mais confiável. "Na primeira fase, são capturadas duas imagens com um minuto de intervalo, que são subdivididas em quadrantes para análise. Na segunda fase, a câmera é ajustada para ampliar a imagem na área com maior probabilidade de fumaça, aumentando a precisão da detecção", explica.

Segundo Solis, a detecção de fumaça não é simples. "Um avanço significativo foi a criação de um Dataset exclusivo do Cerrado brasileiro, que pode ser útil para futuras pesquisas e projetos envolvendo IA", destaca.


Meio Ambiente

Desde o início do projeto em julho de 2023, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o CBMDF têm acesso à plataforma que mostra os incêndios no DF. Carolina Schubart, coordenadora do Programa de Prevenção a Incêndios Florestais (PPCIF) da Sema, enfatiza a importância do projeto. "É muito eficiente. Com as câmeras, acompanhamos a evolução do incêndio em tempo real e podemos responder mais rapidamente, o que é um grande avanço", afirma.

A Sema está planejando um novo projeto para expandir o sistema, com a intenção de apresentar ao Fundo Único de Meio Ambiente (Funam) para obter mais recursos e adquirir mais câmeras. "Estamos finalizando os detalhes com a UnB para apresentar à Funam e buscar aprovação", diz Schubart, mencionando que estão buscando financiadores para continuar e ampliar o programa.

Até agosto deste ano, o CBMDF atendeu 1.361 ocorrências de incêndio. A corporação reconhece que o projeto tem sido valioso no combate ao fogo na capital. "Toda ferramenta que melhore a eficiência e proteção ambiental é bem-vinda, e estamos agradecidos por participar deste projeto", declarou a corporação.


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