"É Bia e Michelle": PL fecha chapa ao Senado, apoia Celina e encerra o ciclo das convenções no DF — mas a nova pesquisa já dá o tamanho do desafio

Convenção do último domingo confirmou as candidaturas ao Senado e apoio à reeleição da governadora. Michelle, internada com enxaqueca, não compareceu e mandou carta. Izalci desiste do GDF e vai à Câmara Federal. E a pesquisa Correio/Opinião publicada hoje mostra Leila abrindo vantagem: 46,9% a 42%

O xadrez eleitoral do Distrito Federal está montado. Com a convenção do Partido Liberal realizada no domingo (2/8) no estacionamento 11 do Parque da Cidade — o último grande evento do calendário de convenções —, o mapa das candidaturas para as eleições de 4 de outubro ficou praticamente definido. E hoje, nesta quarta-feira (5/8) — último dia do prazo legal para convenções —, a pesquisa Correio/Opinião já mostra o termômetro da batalha que está prestes a começar.

Os próximos marcos do calendário eleitoral: 15 de agosto é o prazo final para registro oficial das candidaturas na Justiça Eleitoral. 16 de agosto começa a campanha nas ruas e nas redes sociais. 4 de outubro, o eleitor decide.

A convenção que faltava — e a ausência que virou manchete

O PL era o partido mais aguardado do calendário de convenções — e entregou exatamente o drama que todos esperavam. O Partido Liberal oficializou, na tarde do domingo (2), as candidaturas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis ao Senado Federal pelo Distrito Federal. A decisão foi homologada durante a convenção da legenda realizada em Brasília, que também confirmou o apoio do partido à reeleição da governadora Celina Leão. 

Mas o grande personagem do evento foi justamente quem não apareceu. Michelle Bolsonaro não participou da convenção por questões de saúde. Segundo boletim médico, ela foi internada na noite de sábado (1º) em um hospital particular de Brasília com um quadro de cefaleia — enxaqueca. A ex-primeira-dama realizou exames e procedimento de bloqueio anestésico de nervos cranianos com resposta satisfatória e recebeu alta ainda no domingo — mas optou por não comparecer ao evento. 

Em seu lugar, o irmão Diego Torres, que foi anunciado como suplente, leu uma mensagem dirigida aos apoiadores. Na carta, Michelle reafirmou que Flávio Bolsonaro é o candidato a presidente escolhido por Jair Bolsonaro e declarou: "Nós vamos caminhar juntos e a passos largos para impedir que o mal seja audacioso e continue a castigar o nosso povo. Nós queremos um Brasil pacificado e vamos trabalhar para isso."

Bia Kicis: "O Senado é o único que pode colocar freios e contrapesos"

Com Michelle ausente, coube a Bia Kicis conduzir o evento e dar o tom da candidatura conjunta. A deputada federal — que está em seu segundo mandato na Câmara, é formada em Direito pela Universidade de Brasília e atuou como subprocuradora-geral do DF até se aposentar em 2016 — não poupou nas palavras.

"Existem eleições em que escolhemos nomes e existem eleições que determinam o futuro das próximas gerações. E esta é uma dessas. Quero agradecer a Deus, à minha família, ao meu partido e ao presidente Bolsonaro, que indicou o meu nome para concorrer ao Senado. É Bia Kicis e Michelle!"

Sobre sua visão do papel do Senado, Bia foi direta: "O Senado é o único órgão que, neste momento, pode colocar de pé o sistema de freios e contrapesos. É o único que pode fiscalizar outros órgãos, sabatinar autoridades e zelar pelo cumprimento da Constituição." 

O discurso foi permeado por críticas ao Judiciário — uma das marcas da campanha bolsonarista —, com referências à perseguição política e à necessidade de um Congresso mais forte.

O detalhe que pode virar processo: números na urna antes do início da campanha

Um gesto do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, durante a convenção chamou atenção dos especialistas eleitorais e pode resultar em questionamento jurídico. Valdemar puxou um coro com os números de urna de Michelle e Bia: "Quero agradecer a vocês na urna, não se esqueçam: 222, 223", afirmou, antes de repetir "nós contra eles" ao lado dos apoiadores. A menção direta à urna e aos números das candidatas ocorreu antes do início oficial da propaganda eleitoral, marcado para 16 de agosto, e pode abrir margem para questionamento na Justiça Eleitoral.

Izalci desiste do GDF — e vai para a Câmara Federal

Uma das principais novidades da convenção foi o desfecho do imbróglio com o senador Izalci Lucas. O parlamentar, que chegou a se apresentar como pré-candidato ao GDF mesmo com resistência do próprio partido, saiu do evento com um destino diferente do planejado: com a entrada de Bia na chapa, o senador Izalci Lucas anunciou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados.

A definição encerra semanas de tensão interna no PL-DF e consolida o apoio integral do partido à candidatura de Celina Leão ao Palácio do Buriti — sem candidatura própria ao GDF.

O mapa completo das candidaturas ao GDF e ao Senado

Com as convenções encerradas, o quadro eleitoral do DF está praticamente definido:

Governador do DF:
Celina Leão (PP/PL/MDB/Podemos/Republicanos/União Brasil) | José Roberto Arruda (PSD/Avante — candidatura sujeita à decisão do STF sobre Ficha Limpa) | Ricardo Cappelli (PSB) | Paula Belmonte (PSDB) | Leandro Grass (PT/PSol/PV) | Kiko Caputo (Novo) | Samara Mineiro (UP) | Professor Robson Raymundo (PSTU)

Senado Federal — duas vagas:
Michelle Bolsonaro (PL) | Bia Kicis (PL) | Leila do Vôlei (PDT) | Erika Kokay (PT) | Sebastião Coelho (Novo) | Rafael Prudente (MDB) | Izalci Lucas (PL — agora candidato a deputado federal)

A pesquisa que complica a vida do PL — publicada hoje

Enquanto o PL celebra a formalização de sua chapa, a pesquisa Correio/Opinião publicada esta manhã (5/8) traz um dado que complica o planejamento do partido para o Senado.

Leila do Vôlei é citada por 46,9% dos eleitores ouvidos pela pesquisa, enquanto Michelle Bolsonaro é preferida por 42%. A deputada Erika Kokay (PT) é a terceira colocada com 32,3%. 

A diferença de quase 5 pontos percentuais entre Leila e Michelle representa uma virada em relação à pesquisa do Paraná Pesquisas de julho, que mostrava empate técnico entre as duas — 39,2% a 36%. A senadora do PDT abriu vantagem justamente no período em que as convenções foram sendo realizadas — e em que o debate político no DF ganhou mais intensidade.

Para o PL, o dado mais preocupante é a rejeição: Michelle Bolsonaro continua registrando a maior taxa de rejeição entre todos os candidatos ao Senado — o que significa que, apesar do número expressivo de intenções de voto, uma parcela significativa do eleitorado brasiliense descarta sua candidatura de forma categórica.

Há um dado positivo para o campo bolsonarista, no entanto: com Bia Kicis e Michelle disputando juntas, o PL aposta que a soma dos votos das duas ultrapassa as duas vagas disponíveis — uma estratégia que, se confirmada pelas urnas, garantiria os dois assentos ao bloco.

O que vem a seguir

Com o calendário de convenções encerrado hoje, os próximos dez dias serão de burocracia eleitoral — registro de candidaturas, análise de documentos, definição de coligações formais. A partir de 16 de agosto, Brasília entra no modo campanha de verdade: santinhos, carreatas, debates, jingles e a maratona que vai até 4 de outubro.


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