A rede pública de saúde do Distrito Federal passou a oferecer um dos métodos anticoncepcionais mais eficazes e duradouros disponíveis: o implante contraceptivo subdérmico Implanon, que age por até três anos e está disponível gratuitamente nas unidades de saúde para grupos prioritários definidos pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).
O dispositivo, um pequeno bastão colocado sob a pele do braço, libera de forma contínua hormônios que impedem a ovulação — e com isso reduzem significativamente a chance de uma gravidez não planejada. Na rede privada, esse método pode chegar a custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, mas agora está sendo aplicado sem custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no DF.
Grupos com prioridade no acesso
De acordo com a SES-DF, mais de 10 mil unidades do Implanon foram recebidas pela rede pública em dezembro de 2025 e estão sendo utilizadas para ampliar o acesso ao planejamento reprodutivo. O público-alvo inicial inclui mulheres e pessoas em situações especiais de saúde ou vulnerabilidade. Entre os grupos contemplados estão:
- adolescentes entre 14 e 19 anos, com ou sem histórico obstétrico;
- pessoas em tratamento com medicamentos como talidomida ou com tuberculose resistente;
- puérperas de alto risco com indicação médica de evitar nova gestação;
- sobreviventes de violência doméstica ou sexual atendidas por programas especializados;
- pessoas privadas de liberdade e adolescentes em medidas socioeducativas;
- moradoras de áreas rurais;
- mulheres com deficiência que não desejam gestar;
- indígenas, imigrantes, refugiadas e apátridas;
- profissionais do sexo;
- mulheres com endometriose profunda;
- homens trans que se encaixem nos critérios clínicos.
A lista foi organizada com foco em equidade e proteção à saúde sexual e reprodutiva, segundo a secretaria.
Como obter o Implanon pelo SUS
Quem se enquadra entre os grupos prioritários deve procurar a sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. O procedimento começa com uma avaliação clínica feita por médico ou enfermeiro para verificar se o implante é indicado e seguro. Caso não existam contraindicações, o agendamento para a inserção do dispositivo pode ser feito na própria UBS.
A colocação do implante é simples e rápida — geralmente feita sob anestesia local na parte interna do braço — e não exige internação hospitalar. Depois de inserido, o dispositivo atua por até três anos, período em que a mulher não precisa tomar pílulas ou lembrar de doses diárias.
Ao término dos três anos, o Implanon é retirado e, se a pessoa desejar continuar protegida, um novo implante pode ser colocado imediatamente. A fertilidade tende a se restabelecer rapidamente após a remoção.
Uma alternativa eficaz no planejamento familiar
O Implanon está entre os métodos contraceptivos de longa duração e alta eficácia, comparável a outros dispositivos, como o DIU, e muito superior aos métodos que dependem de uso diário ou frequente.
Essa mudança no acesso faz parte de uma estratégia mais ampla de saúde pública no país, alinhada a iniciativas do governo federal para ampliar opções contraceptivas dentro do SUS e reduzir gestações não planejadas — uma medida considerada importante na redução da mortalidade materna.
Contexto nacional
No Brasil, o implante contraceptivo também foi incorporado à lista de cobertura obligatória pelos planos de saúde privados para mulheres de 18 a 49 anos, o que amplia ainda mais o acesso ao método além da rede pública.
Além disso, o Ministério da Saúde recebeu cerca de 100 mil unidades do Implanon em 2025 e kits de treinamento para capacitar profissionais responsáveis pela inserção, como parte do esforço para expandir sua oferta no SUS em várias regiões do país.
A chegada do Implanon à rede pública do Distrito Federal representa um avanço no acesso à saúde reprodutiva, oferecendo às usuárias uma opção contraceptiva prática, de longa duração e com alta eficácia. Procurar a UBS mais próxima continua sendo o primeiro passo para quem deseja considerar essa alternativa no planejamento familiar.
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