Suspeita de homicídios na UTI do Hospital Anchieta: o que se sabe até agora

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, que teriam recebido injeções de substâncias tóxicas aplicadas por técnicos de enfermagem. A operação que levou às prisões foi denominada Operação Anúbis.

O caso — resumo das suspeitas e das prisões

Segundo a PCDF, as mortes ocorreram em novembro e dezembro de 2025. Três técnicos de enfermagem que trabalhavam na UTI foram presos temporariamente a partir de ações deflagradas em 11 e 15 de janeiro de 2026. Os nomes citados pela imprensa como investigados são Marcos Vinícius Silva (24 anos), Amanda Rodrigues de Sousa (28 anos) e Marcela Camilly Alves (22 anos)

Imagens de câmeras de segurança do hospital e perícias em dispositivos apreendidos foram utilizadas pela polícia durante as diligências; após a confrontação com os vídeos, um dos suspeitos confessou participação nos crimes, segundo a investigação. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e apreendidos celulares, notebooks e documentos que agora são analisados. 

Como teriam ocorrido as mortes

Conforme apuração jornalística e relatos oficiais, um dos suspeitos teria conseguido acesso indevido ao sistema do hospital usando o login de um médico, prescrevendo ou retirando substâncias na farmácia da unidade. Essas substâncias teriam sido aplicadas na via venosa dos pacientes, provocando paradas cardíacas. Em pelo menos um dos episódios, a polícia aponta que o investigado chegou a aplicar várias injeções de desinfetante até que a vítima entrasse em óbito. As ações foram registradas por câmeras e passaram a ser referência para a acusação. 

As datas citadas pela mídia para as aplicações incluem 17 de novembro (duas mortes) e 1º de dezembro (um óbito). Em alguns relatos, as tentativas de simular procedimentos de reanimação — como massagens cardíacas — teriam sido feitas pelos próprios suspeitos após a administração das substâncias, na tentativa de dissimular a ação. 

Quem foram as vítimas

A imprensa local identificou as três vítimas:

  • João Clemente Pereira, 63 anos (supervisor de manutenção da Caesb);

  • Marcos Moreira, 33 anos (carteiro);

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos (professora aposentada).
    As famílias foram comunicadas pela unidade hospitalar e acompanhadas pelas autoridades durante o avanço das investigações. 

A atuação da polícia e apuração em curso

A PCDF classificou os fatos como homicídios e trabalhou com a Coordenadoria de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) para reunir evidências — imagens, registros hospitalares, acessos ao sistema e dados dos aparelhos apreendidos. A investigação busca ainda identificar motivação, se há mais vítimas e se houve premeditação ou conivência de outros profissionais. A PCDF segue com diligências e perícias em andamento. 

Importante: trata-se de investigação em andamento. Embora haja prisões e confissão parcial (de acordo com reportagens), a responsabilização definitiva depende de conclusão das perícias e do devido processo legal.

Resposta do Hospital Anchieta

O Hospital Anchieta comunicou ter identificado “circunstâncias atípicas” nas mortes e colaborado com as autoridades. A unidade demitiu os profissionais envolvidos assim que as suspeitas ganharam força e tem cooperado com a Polícia Civil na disponibilização de imagens, prontuários e outros documentos solicitados. A direção do hospital informou também ter reforçado protocolos internos de segurança e controle de acesso a medicamentos e sistemas. 

Motivações e contexto — o que a investigação aponta até agora

A polícia ainda não divulgou uma motivação oficial consolidada. Reportagens indicam que a análise dos celulares e computadores apreendidos será ponto-chave para entender possíveis relações interpessoais ou motivos que expliquem as ações — inclusive a investigação sobre a existência de relacionamentos entre alguns dos profissionais, levantada por apuração jornalística. Mas, por ora, não há confirmação pública de uma motivação única e oficial

As autoridades também verificam se incidentes semelhantes possam ter acontecido em outras ocasiões e se há responsabilidades administrativas ou falhas sistêmicas (controle de acesso a medicamentos, supervisão em UTI etc.) que precisem ser corrigidas para prevenir novas tragédias.

Repercussão e consequências

O caso provocou forte comoção local e questionamentos sobre segurança em unidades hospitalares privadas. Especialistas em gestão hospitalar e bioética ouvidos pela imprensa ressaltam a necessidade de:

  • controles mais rígidos de acesso a sistemas e medicamentos;
  • câmeras de segurança com vigilância e retenção de imagens;
  • protocolos claros para prescrição, dispensação e administração de medicamentos;
  • triagem e supervisão continuada de equipes que atuam em UTIs. 

Do ponto de vista jurídico, os investigados podem responder por homicídio qualificado e outras tipificações penais, dependendo do resultado das perícias toxicológicas, dos laudos e das provas coletadas. A polícia mantém o sigilo de partes da investigação para preservar diligências e garantir a correta instrução criminal.

O que já foi confirmado (em fontes oficiais / apuração)

  1. Três mortes na UTI do Hospital Anchieta estão sob investigação por possível ação de técnicos de enfermagem. 

  2. Prisões temporárias foram cumpridas em ao menos duas fases da Operação Anúbis (11 e 15 de janeiro). 

  3. Um dos investigados confessou participação após ser confrontado com imagens das câmeras, segundo a polícia.

  4. Aparelhos eletrônicos e documentos foram apreendidos e estão sendo periciados; celulares podem trazer elementos para esclarecer motivação e relação entre os suspeitos. 

  5. O hospital informou ter colaborado com as investigações e demitido os profissionais envolvidos. 

Como a notícia deve ser acompanhada

Trata-se de um caso em rápida evolução. Novas informações (resultados de perícias toxicológicas, laudos do IML, indiciamentos ou novas prisões) podem surgir nas próximas horas ou dias. Recomendamos acompanhar comunicados oficiais da Polícia Civil do Distrito Federal e notas do Hospital Anchieta para atualizações confirmadas, evitando especulações em redes sociais enquanto a investigação estiver em curso.


Política ao Quadrado


Fontes principais consultadas

Agência Brasil / EBC; Metrópoles; CNN Brasil; Veja; Correio Braziliense; R7 (compilações e reportagens locais sobre o caso). 



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