Sexta da Saúde: Os Perigos do Uso Indevido das Canetas Emagrecedoras

Nos últimos meses, as chamadas canetas emagrecedoras ganharam enorme popularidade, impulsionadas por redes sociais, celebridades e promessas de emagrecimento rápido. Indicadas originalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, obesidade, essas medicações passaram a ser usadas de forma indiscriminada por pessoas que buscam perda de peso sem acompanhamento médico — um cenário que acende um alerta importante para a saúde pública.

Esses medicamentos atuam no organismo alterando a sensação de fome e saciedade, interferindo diretamente no funcionamento do sistema digestivo e metabólico. Quando usados sem prescrição ou fora da indicação correta, podem provocar efeitos colaterais significativos, como náuseas intensas, vômitos, diarreia, constipação, tontura, fraqueza e desidratação. Em casos mais graves, há risco de hipoglicemia, pancreatite, alterações gastrointestinais persistentes e perda excessiva de massa muscular, especialmente quando associados a dietas muito restritivas.

Outro perigo pouco discutido é o uso prolongado sem controle. Especialistas alertam que o emagrecimento rápido pode mascarar problemas metabólicos e levar ao conhecido “efeito sanfona” após a interrupção do medicamento. Além disso, pessoas sem obesidade ou com histórico de transtornos alimentares podem desenvolver relação ainda mais prejudicial com a comida, agravando quadros de ansiedade, compulsão alimentar e insatisfação corporal.

Também preocupa o uso sem avaliação clínica prévia. As canetas não são indicadas para todos e podem ser contraindicadas em pessoas com histórico de doenças gastrointestinais, pancreáticas, endócrinas ou familiares com determinados tipos de câncer. A automedicação, além de perigosa, dificulta o diagnóstico de efeitos adversos e atrasa a busca por ajuda profissional.

No quadro Sexta da Saúde, o alerta é claro: não existe atalho seguro para o emagrecimento. Medicamentos podem ser aliados importantes quando bem indicados, mas jamais substituem acompanhamento médico, alimentação equilibrada, atividade física e cuidado com a saúde mental. Antes de seguir tendências ou promessas rápidas, a melhor decisão continua sendo buscar orientação profissional e informação de qualidade.


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